Civilização do Couro & Moda

   O olhar que lançamos ao Brasil das profundezas agrestes nem sempre é um olhar nos dá as dimensões social e econômica que ali são geradas.

   De repente, numa loja da cidade grande, como a Sampa das mil tendências, adquirimos uma peça de roupa e, de repente, lá está um pedacinho de couro… Então, percebemos como é preciso ir além do olhar: é preciso fazer a leitura.

   Para tudo, eis que a filosofia é a pedra de toque: a dialética das coisas e a alquimia que nos move socialmente permitem uma dinâmica de fé em nós mesmos. Sim, é possível. Vejam só: uma minúscula peça de couro, transformada em etiqueta de calçado ou de camisa para visualizar a marca, exige de quem a vê – e lê… – um exercício de história que contempla, primeiro, a civilização do couro que nos é emblemática, segundo, que a tradição pode gerar modernidade em muitos aspectos da sociedade industrial que nos cerca.  Pois, naquele pedacinho de couro, feito etiqueta e com a gravação da marca de uma empresa, está um lastro histórico que fez o Brasil surgir na região nordeste e a percepção de uma comunicação visual que o é na manifestação artística de quem desenha em traço mercantil.

Obs.:
da palestra COURO, MODA & COMUNICAÇÃO VISUAL, de João Barcellos [Porto
Alegre, Aquiraz, Barueri, 2019] | Fotos: João Barcellos