Moda & Tecnologia 3d

Uma Década de Evoluções
para Plataformas Interdisciplinares

   As tecnologias sob o impacto de uma ciência cada vez mais diversificada, especializada, qualifica a atual sociedade industrial como uma das mais eficazes na produção do objeto sem desperdício e integrando parâmetros analógicos e digitais, às vezes, numa mesma plataforma operacional. Entre os anos 2009 e 2018 a evolução gerou uma completa alteração de costumes tecnológicos. E agora? O que esperar a partir de 2019…?

2009  | Formas e cores. O mundo da produção de bens de consumo é, neste ano, um mundo em transição. Inicia-se uma nova revolução industrial que exige não mão-de-obra e sim cabeça-de-obra. Há um espaço entre a Ideia e a Robotização no cotidiano, tanto que a tendência é operar tridimensionalmente, evitar cada vez mais a multidão na linha de montagem. O conceito é: trabalhar o produto de forma interdisciplinar e dar-lhe uma logística compatível. É o que acontece. A indústria e o comércio (retalho e varejo), públicos e escolas técnicas adaptam-se ao estilo “crie e faça pelo bem-estar”.

2010  _ lembrete  ||  Há 50 anos… 1960: o Dr. Caio (Alcântara Machado) faz parceria com a divisão de têxteis da Rhodia e apresenta no Brasil fios sintéticos e tecidos em desfiles na FENIT que alteram o modo de ´construir panos´.

2011-13  |  Fabricantes de impressoras digitais (plotters) e de programas (softwares) formulados para interromperem o ciclo do desperdício demonstram que o campo gráfico-têxtil não será mais o mesmo, i.e., métodos, materiais e tintas são agora dimensionados nanotecnologicamente no âmbito de uma produção assumidamente ecológica. Também, fabricantes de máquinas automáticas de seleção de peças e de corte (com laser controlado eletronicamente) aderem à ´onda verde´. Entretanto, o convencional convive com o digital e isso resulta em trabalhos de altíssima qualidade em estamparia expandida a vários mercados.

2014  |  O que é vestir e calçar? É utilizar tecidos e couros (sintéticos, ou não) e materiais de formulação mista (com fibras recicladas, inclusive), dar-lhes um desenho, uma forma e uma estampa. Mas, para quê tanta gente na linha de produção? E eis que chegam as máquinas de estampar, de costurar e de aplicações diversas com comando eletroeletrônico.

  [Aqui, inicia-se a questão filosófica de trato industrial. Como reciclar e dar trabalho à classe operária desvinculada da velha linha de montagem? Quais os novos padrões sociais? A questão está no ar…]

   Eventos profissionais como Febratex, Fespa e ExpoPrint, Febratêxtil, Sign Nordeste e Agreste Tex, além da Serigrafia Signs (agora, FuturePrint), no Brasil, mostram conceitos e tendências sob o efeito da nanotecnologia.

   Estilistas desenvolvem novos meios de criação com as tecnologias da era digital diante de uma sociedade em que cada pessoa quer ser ela mesma, não o produto acabado de uma linha de montagem para moda impositiva.

2015  |  Israel. Terra onde várias companhias gráfico-têxteis têm polos de desenvolvimento industrial e científico. De experimentos na Shenkar College of Engineering and Design é apresentada uma coleção de peças geradas numa impressora que reproduz tridimensionalmente um objeto. O que foi isso?, o mundo têxtil quer saber. Está criada uma maneira de reproduzir em impressora um rendado de tecido. Ou seja: as peças unidas se movimentam como uma renda em corpo que caminha. E então, uma oscilação tecnológica de peças a desenvolver…

2016  |  Entre a nanotecnologia e a reprodução 3d nas áreas gráfico-têxtil os estilos entraram em ruptura pela criatividade. Neste ano, a New York Fashion Week exibe a peça de vestuário intitulada Oscillation Dress. Sim, uma peça criada na mesma forma do tipo quebra-cabeças que deu origem ao efeito exibido em Israel: a criação de um vestido a sair da forma bidimensional para a tridimensional, como diz Asfour, o estilista.

   As barreiras de estilo caem diante das tecnologias que exigem estudo, competência e muita criatividade. E no Brasil, o Senai dá passos importantes gráfico-têxteis para assimilar o novo tempo industrial

   A sempre ousada Fespa, desta vez no Brasil (em São Paulo), mostra com quanta tecnologia se faz comunicação visual. E eis que o evento brasileiro Febratex é vitrine da cumplicidade… De um lado a renda artesanal e as rendeiras, do outro, as máquinas produzindo rendas sob comando de programas de computação gráfica. Uma nova ordem tecnológica emerge: o Têxtil Digital. Uma tecnologia que alcança segmentos como o automotivo, o calçadista, o objeto promocional, entre outros.

2017  |  A feira ExpoPrint mostra, em São Paulo (Brasil), como a impressão digital já alterou parâmetros operacionais e de desenvolvimento para a criação, por ex., de embalagens e de comunicações visualmente gráficas.

2018  |  Ainda em São Paulo, a tradicional Serigrafia|Sign (FuturePrint) eleva o tom: a comunicação visual não está mais em transição. Gráficos e têxteis são agora parte da nanotecnologia e do tridimensional que embasam a Indústria 4.0, ou, a nova revolução industrial. No mesmo período, em Blumenau, sede natural da Febratex, empresas brasileiras exibem tecnologias no padrão 4.0 e desmontam velhos argumentos do tipo “o que é bom não é só o que vem de fora”, como dizem Claudio Grando [da Audaces] e Sérgio Schmitz [da Global Tecnologia Tintas Digitais], dois dos mais brilhantes empreendedores locais, mas com expansão internacional.  

2019  | E agora?… O último evento de 2018, a 2ª edição da FebraTêxtil, em São Paulo, dá a dica: as operações interdisciplinares sob padrões nanotecnológicos e tridimensionais são o pilar das novas linhas de criação e produção.

Grupo de Debates Noética + TerraNova Comunic | Especial para Revista I&C.