O Universo Têxtil-Moda no Âmbito da Comunicação Visual

“A moda, afinal, não passa
de uma epidemia induzida”

_ George Bernard Shaw

 

O que temos por Moda é o transitório útil de um cotidiano industrial, mas, mesmo quando iniciamos o ato de cobrir o corpo já iniciamos também uma cultura identitária localizada, i.e., cada comunidade assentou um visual que foi além do casual para forma(ta)r uma tradição. Por isso,

 

Moda
é parte de uma
Comunicação Visual

 

a expressar identidades familiares, comunitárias e corporativas. Assim, quando lemos frases do tipo “a moda é uma variação tão intolerável do horror que tem de ser mudada de seis em seis meses”, no conceito do poeta Oscar Wilde, ou “todos os vícios, quando estão em moda, passam por virtudes”, na observação do dramaturgo Molière, eis nos diante  do ser-estar que o filósofo Heidegger tão bem definiu para expressar a visualidade que nos é roupagem em todas as circunstâncias; logo, acrescento eu, da roca ao tear passando pela tinturaria a humanidade celebra uma comunicação visual que lhe é, em qualquer circunstância, o fato social gerado manual e/ou industrialmente. E com todos os humores, da tristeza à alegria.

O labor têxtil e coureiro que leva à moda da roupagem, assim como os outros labores que geram o calçado e o letreiro, são segmentos de uma comunicação utilitária que se expressa visualmente, personalizada ou não. E não podemos esquecer que “…o incapaz se cobre, o rico se enfeita, o presunçoso se disfarça e o elegante se veste”, como dizia Honoré de Balzac, entretanto, fico com o que Sócrates, hoje continuado por Manuel Reis, gostava de afirmar: expresse simplesmente o que você é, pois, e continuo eu, a sua única visualidade está na expressão dos atos.

 

BARCELLOS, João – Sinopse de “Moda & Expressão Visual”, palestra. São Roque / SP-Brasil, 2018. Autor de “Estamparia”, “Indústria Digital” e “Alquimia, Moda & Comunicação Visual”, entre outros livros.