Palavra do Editor

As Linguagens
Que Exibem & Vendem

“Desde que o troca-troca de objetos, principalmente resultados de caça e pesca, efetivou a existência humana em comunidades, um conceito social passou a ser parte do espaço civilizacional: o ato mercantil.

Durantes as odisseias socio-militares de persas, celtas, vikings, fenícios, gregos e romanos, nas quais a civilização se mostrou oriental e ocidental na sua geopolítica, o escambo (troca-troca) estimulou o surgimento do artesanato e da indústria; e, além disso, surgiu o esbulho (usurpação do que é alheio), principalmente na expansão colonial que fez do Mundo Novo o espaço americano sob a égide ibero-

católica. A civilização globalizou-se além Finisterra (barreira do ´fim do mundo´, segundo a cristandade medieval) e deixou de ser um mapa quadrado, até que, entre marinhas mercantes e máquinas movidas a vapor, a Humanidade tornou-se um livro de contabilidade.

Uma infinidade de produtos industrializados cercou a Humanidade e surgiu a linguagem visual como meio de imposição do conceito mercantil de consumo imediato: a publicidade e a comercialização. As linguagens visuais (literária/jornalística e artística) exibem e vendem produtos, e são linguagens de impacto em veículos físicos (jornais, revistas) e eletrônicos (redes sociais computadorizadas). E assim é que hodiernamente os mercados contam com linguagens especializadas que atendem as demandas de cada ramo de atividade.

Senhoras e Senhores, assim é e assim caminha a humanidade globalizada em suas odisseias de economia política ideologicamente enquadras…”  | João Barcellos – da palestra “Entre o Escambo e o Esbulho as Linguagens Mercantis” [2019].

BARCELLOS, João
Escritor, Pesquisador de História, Conferencista