Palavra do Editor

Empresariado & Sociedade

A sociedade que hoje somos individualiza pelo lucro mercantil ou pelo poder político, o espírito de solidariedade comunitária é um longo e falho processo que impede o progresso local equilibrado socialmente.
“[…] A pessoa que empreende vive num espectro de expectativas no âmbito do custo-benefício, o que é correto, pois, um empreendimento deve gerar recursos/lucros, mas, esse exercício foi elevado a um potencial que beira o capitalismo selvagem a imitar o conceito de concentração de renda sem a preocupação com a geossociedade que envolve o empreendimento, digo, o ato social”, alertou o intelectual João Barcellos em conversas com técnicos e empresários nos eventos ´Agreste Tex´(Caruaru/PE, 2019) e ´FuturePrint´ (São Paulo, 2019).
Pego o alerta desse notável conferencista e pesquisador, calejado em mais de 20 anos de interação com o empresariado sul americano, para trazer até vocês outra mensagem: Esta sociedade em que vivemos, altamente industrializada e pouco solidária nas suas periferias não está se preparando para o futuro (muito) próximo – um futuro de insolvência social-mercantil com largos focos de rebelião social. Explico, com uma anotação da Profª Fê Marques: “Não basta robotizar linhas de produção e eliminar profissões, é preciso preparar a sociedade para enfrentar o desafio da ociosidade funcional” (palestra; Florianópolis-SC, 2017). Aqui está a questão que a sociedade industrial ainda não percebeu na sua amplidão e, pior, nem os políticos a enxergam.
Refletir sobre esta questão é “uma emergência para se evitar a curto prazo surtos subversivos de simples sobrevivência” (Barcellos, idem). A questão é: urge refletir.

CASTRO, Mário G. de | Fotojornalista e Serigrafista. Rio de Janeiro, 2019.