Palavra do Editor

CELEIRO DE MATÉRIAS-PRIMAS
O BRASIL É A TERRA PROMETIDA…

Da primeira fundição ferrífera das Américas pelo voluntariado do capitão Affonso Sardinha (o Velho), no Cerro d´Ybyraçoiaba à Real Fábrica de Ferro de São João do (Rio) Ipanema [hoje, parte de Iperó, no interior paulista], o Brasil paulistano deu ao Visconde Mauá (Irineu Evangelista) a visão de uma Nação única e industrialmente poderosa que, infelizmente, a monarquia imperial recusou; entretanto, essa visão perdurou no espírito empreendedor de outros empresários e, em pleno Século 21, eis que o Brasil continua o mesmo celeiro de matérias-primas, mas sendo agora a terra prometida para o novo empresariado que faz desta Nação uma ponte para o progresso mundial.
Ah, sim, falta à gente brasileira, e principalmente aos seus políticos, a visão desenvolver localmente, fazer girar o progresso globalmente.
Ainda não está emergindo no pensamento brasileiro, salvem-se honrosas exceções, que esta Nação é o berço das futuras gerações industriais, assim, é preciso que brasileiras e brasileiros percebam a riqueza que têm nas mãos e façam valer isso em políticas estratégicas e, principalmente, via políticas educacionais.
Quando escrevi Do Fabuloso Araçoiaba Ao Brasil Industrial [Portugal e Brasil, 2011], um dos meus livros acerca da luso-brasilidade, percebi a indiferença acadêmica local sobre o assunto. E
parece-me que a mentalidade acadêmica no Brasil está ainda, em geral, colonizada, petrificada. Pessoas de outras nações que tomam conhecimento do que é o Brasil das matérias-primas ficam pasmas pela inércia acadêmica e política que por aqui campeiam.
Esta é a terra prometida para a gente empreendedora e que decide, mesmo em vanguarda, os destinos da humanidade.

BARCELLOS, João
Escritor, Pesquisador de História, Conferencista